Diz uma história que
numa cidade apareceu um circo,
e que entre seus artistas havia um palhaço com o poder de divertir,
sob medida, todas as pessoas da platéia e o riso era tão bom,
tão profundo e natural que se tornou terapêutico.
Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas
eram indicados pelo médico do lugar
para que assistissem ao tal artista
que possuía o dom de eliminar angústias.
Um dia um homem desconhecido,
tomado de profunda depressão, procurou o doutor.
O médico então, sem relutar, indicou o circo
como o lugar de cura de todos os males daquela natureza,
de abrandamento de todas as dores da alma,
de iluminação de todos os cantos escuros
do nosso jeito perdido de ser.
O homem nada disse,
levantou-se, caminhou em direção à porta
e quando já estava saindo,
virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou :
"Aí está o meu problema : eu sou o palhaço".